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A Gráfica — Centro de Criação Artística

A Gráfica — Centro de Criação Artística

Verificado

Câmara Municipal de Setúbal, perto do centro de arte A Gráfica

📷 Crédito da imagem

Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0

Na tranquila Ladeira da Ponte de São Sebastião, nos antigos armazéns de uma empresa de papel, nasce a arte do futuro. A Gráfica não é um museu nem uma galeria, mas um laboratório vivo onde os artistas recebem espaço, tempo e apoio para criar o novo. Aqui a arte visual encontra-se com a cultura digital, e a performance com a arquitetura.

História do Edifício

Armazéns Papéis do Sado

O edifício onde se encontra A Gráfica tem a sua própria história industrial. São os antigos armazéns da empresa de papel do Sado (Armazéns Papéis do Sado) — uma instalação produtiva ligada ao comércio de papel e materiais de impressão. O nome “A Gráfica” (literalmente — “A Tipografia”, “Gráfica”) refere-se a este passado tipográfico.

A localização dos armazéns — na Ladeira da Ponte de São Sebastião (a encosta da ponte de São Sebastião) — coloca o centro no contexto histórico da Setúbal industrial: o bairro esteve tradicionalmente ligado à atividade portuária e comercial.

Conversão e Requalificação

A transformação de armazéns industriais num centro de criação artística é um exemplo de conversão de património industrial, característico da política cultural contemporânea de Setúbal. Tal como o Museu do Trabalho Michel Giacometti foi instalado numa antiga fábrica de conservas, A Gráfica deu nova vida ao antigo espaço de armazém.

O município de Setúbal conduziu a requalificação (reconstrução e adaptação) do edifício, preservando o seu caráter industrial — tetos altos, espaços abertos, textura rude das paredes — e simultaneamente equipando-o com infraestrutura moderna para o trabalho artístico.

Conceito

Cidade de Criação Artística

A Gráfica foi criada pelo município de Setúbal como parte de uma estratégia para construir uma “Cidade de Criação Artística” (Cidade de Criação Artística). Esta estratégia assume que Setúbal pode e deve ser não apenas consumidora de cultura, mas também um centro da sua produção — um lugar onde os artistas criam novas obras, não apenas exibem obras prontas.

O centro está focado no apoio ao artista: providenciar espaço para trabalho, residências artísticas a nível nacional e internacional, bolsas e subsídios para criar obras.

Interdisciplinaridade

O princípio fundamental de A Gráfica é a interdisciplinaridade. O centro não está vinculado a uma única forma de arte; dentro das suas paredes coexistem e interagem:

  • Artes visuais — pintura, escultura, instalações, fotografia
  • Artes performativas — teatro, dança, performance
  • Design — gráfico, industrial, têxtil
  • Literatura — residências de escritores, eventos poéticos
  • Cultura digital — arte dos media, instalações interativas, videoarte
  • Arquitetura — investigação em design, exposições de conceitos arquitetónicos

Esta combinação de disciplinas num só espaço cria condições para polinização cruzada de ideias — situações em que um escultor trabalha ao lado de um programador, e um coreógrafo ao lado de um designer gráfico.

Espaço

Cinco Naves de Armazém

A Gráfica ocupa cinco naves de armazém, cada uma das quais pode funcionar como um espaço de trabalho ou exposição independente. A arquitetura industrial dos armazéns — com os seus tetos altos, plantas abertas espaçosas e luz natural — é ideal para trabalho artístico de grande escala.

A configuração do espaço é flexível: as naves podem ser usadas simultaneamente para diferentes projetos ou combinadas para grandes exposições e eventos. Esta flexibilidade é uma das principais vantagens da conversão industrial: o antigo edifício de armazém proporciona aos artistas uma liberdade impossível de obter num espaço de galeria ou escritório tradicional.

Programas de Apoio

Bolsas de Criação Artística

Um dos programas centrais de A Gráfica são as Bolsas de Criação Artística. O município de Setúbal concede bolsas a artistas para trabalhar em projetos dentro das paredes do centro. A bolsa inclui apoio financeiro, acesso ao espaço e equipamento e, em alguns casos — assistência de alojamento.

O programa de bolsas está aberto a artistas de várias disciplinas e visa apoiar tanto autores iniciantes como experientes. Os critérios de seleção incluem qualidade artística do projeto, a sua originalidade e ligação com o contexto cultural de Setúbal ou da região.

Residências Artísticas

A Gráfica acolhe regularmente artistas como parte de residências artísticas nacionais e internacionais. Uma residência envolve viver e trabalhar em Setúbal por um determinado período (geralmente de várias semanas a vários meses), durante o qual o artista cria uma nova obra ou desenvolve um projeto em curso.

As residências desempenham um papel duplo: enriquecem o ambiente cultural local, trazendo novas práticas artísticas e perspetivas, e simultaneamente permitem que os artistas convidados se familiarizem com o contexto único de Setúbal — a sua história, natureza, cultura de trabalho.

Exposições e Eventos

Programa de Exposições

A Gráfica realiza regularmente exposições que apresentam os resultados do trabalho dos residentes e bolseiros, bem como projetos temáticos de grupo. O programa de exposições reflete o caráter interdisciplinar do centro — as exposições podem incluir pintura, escultura, videoarte, instalações e documentação de performance.

Entre os eventos significativos estão exposições do projeto “Rasgo Criativo” (Rasgo Criativo), apresentando obras de jovens artistas.

Festivais e Eventos

A Gráfica participa em eventos culturais e festivais da cidade. Em outubro realiza-se aqui um festival de ilustração, reunindo artistas ilustradores e combinando exposições, masterclasses e apresentações.

Workshops e Programas Educativos

O centro conduz workshops, seminários e palestras abertas, tornando a arte contemporânea acessível a um público amplo. O programa educativo está dirigido tanto a artistas profissionais como a amadores e jovens.

A Gráfica no Contexto da Política Cultural de Setúbal

Estratégia de Conversão

A criação de A Gráfica faz parte de uma estratégia municipal consistente de conversão de edifícios industriais em espaços culturais. Esta estratégia inclui:

  • Museu do Trabalho Michel Giacometti — antiga fábrica de conservas que se tornou um museu do trabalho
  • A Gráfica — antigos armazéns de papel que se tornaram um centro de criação artística
  • Auditório José Afonso — local cultural integrado no tecido urbano

Esta estratégia permite resolver simultaneamente várias tarefas: preservar o património industrial, criar infraestrutura cultural e revitalizar bairros urbanos.

Ligação com a Comunidade

Ao contrário de instituições artísticas elitistas, A Gráfica enfatiza a sua ligação com a comunidade local e agentes culturais. O centro esforça-se por ser um espaço aberto onde os residentes de Setúbal podem entrar em contacto com arte contemporânea — através de exposições, workshops e eventos abertos.

Esta orientação para a comunidade corresponde à filosofia geral da política cultural de Setúbal, que se caracteriza por identidade operária e tradições de participação coletiva enraizadas na história do movimento operário da cidade.

Informação Prática

  • Morada: Ladeira da Ponte de São Sebastião, 2900-543 Setúbal
  • Gestão: Câmara Municipal de Setúbal
  • Entrada: geralmente gratuita (para exposições e eventos abertos)
  • Programa atual: publicado no website do município de Setúbal e nas redes sociais do centro

Ver Também

Este artigo faz parte de uma enciclopédia comunitária. Procuramos uma cobertura neutra e baseada em factos. As afirmações disputadas são assinaladas de forma adequada. Política Editorial

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