Azulejos de Setúbal — O Património Azulejar da Cidade

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Azulejos — azulejos cerâmicos vidrados — são um dos símbolos mais reconhecíveis da cultura portuguesa. Em Setúbal, o património azulejar abrange cinco séculos: desde a cerâmica sevilhana do século XV no Convento de Jesus aos painéis Arte Nova de 1929 no Mercado do Livramento.
Períodos
Período Inicial (séculos XV–XVI)
Os azulejos mais antigos de Setúbal sobrevivem na capela-mor da Igreja do Convento de Jesus — azulejos verdes e brancos, presumivelmente de fabrico sevilhano (técnica cuerda seca). A Sé (Igreja de Santa Maria da Graça) contém maiólica de produção nacional do final do século XVI.
Período Barroco (séculos XVII–XVIII)
A idade de ouro dos azulejos em Setúbal:
| Ano | Local | Mestre | Tema |
|---|---|---|---|
| 1714 | Casa do Corpo Santo | P.M.P. (Padre Manuel Pereira) | Caça, vida quotidiana, “figuras de convite” |
| 1736 | Capela do Forte de São Filipe | Policarpo de Oliveira Bernardes | Vida de São Filipe, temas marianos |
| 1766 | Sé | Sebastião de Almeida (atrib.) | 14 painéis da vida da Virgem |
| 1781 | Igreja do Convento de Jesus | Desconhecido | Ladainha da Virgem (19 painéis) |
| c. 1790 | Igreja de São Julião | Desconhecido | Vida de São Julião e Santa Basilissa |
Período Arte Nova (1929–1944)
O Mercado do Livramento está revestido com 5.700 azulejos de José António Jorge Pinto e Pedro Pinto (1929), representando pesca, apanha da azeitona e produção de sal. Em 1944, Rosa Rodrigues acrescentou painéis com paisagens urbanas à entrada norte.
Locais Principais
Igreja do Convento de Jesus
Um património azulejar em camadas: desde azulejos verdes e brancos dos séculos XV–XVI a um programa de 19 painéis (1781) baseado em gravuras de Elogia Mariana de A.C. Redelius (Augsburgo, 1732). Painéis figurativos azuis e brancos com bordas rococó policromadas. Dos 19 originais, sobrevivem 15.
Casa do Corpo Santo
A sede da Irmandade dos Pescadores e Marítimos, fundada no século XIV. As paredes do pátio e da escadaria estão revestidas com azulejos azul-cobalto (1714). É aqui que aparecem pela primeira vez as “figuras de convite” (figuras de convite) — painéis recortados representando um porteiro em tamanho natural com libré. O dispositivo, inventado pelo mestre P.M.P., tornou-se mais tarde uma tradição nacional nos séculos XVIII–XIX.
Capela do Forte de São Filipe
A capela barroca dentro do Forte de São Filipe está inteiramente revestida com painéis azuis e brancos de Policarpo de Oliveira Bernardes (1695–1778), assinados e datados de 1736. Policarpo era filho do famoso António de Oliveira Bernardes e um dos principais mestres do “Ciclo dos Mestres” — a idade de ouro do azulejo português.
Sé (Catedral)
14 painéis de 1766 representando episódios da vida da Virgem, atribuídos a Sebastião Inácio de Almeida (1727–1779), segundo diretor artístico da Real Fábrica de Louça (Real Fábrica de Louça do Rato).
Igreja de São Julião
Reconstruída após o terramoto de 1755. As paredes da nave e da capela estão revestidas com painéis (c. 1790) com bordas rococó policromadas, representando as vidas dos mártires cristãos primitivos São Julião e Santa Basilissa. O artista é desconhecido.
Mestres
| Mestre | Datas | Obra em Setúbal | Significado |
|---|---|---|---|
| P.M.P. (Padre Manuel Pereira) | início séc. XVIII | Casa do Corpo Santo, 1714 | Inventor das “figuras de convite” |
| Policarpo de Oliveira Bernardes | 1695–1778 | Forte de São Filipe, 1736 | “Ciclo dos Mestres” |
| Sebastião de Almeida | 1727–1779 | Sé, 1766 | Diretor da Fábrica Real |
| José A. Jorge Pinto | início séc. XX | Mercado do Livramento, 1929 | Arte Nova |
| Pedro Pinto | início séc. XX | Mercado do Livramento, 1929 | Arte Nova |
Temas
- Cenas religiosas — vida da Virgem, santos, ladainhas
- Temas marítimos — pesca, cenas portuárias (Mercado do Livramento)
- Atividades económicas — produção de sal, apanha da azeitona
- Vida quotidiana — caça, passatempos aristocráticos (Casa do Corpo Santo)
- Padrões geométricos — obras iniciais, séculos XV–XVII
Conservação
Convento de Jesus
Um restauro abrangente com um custo de aproximadamente 9 milhões de euros (50% município + 50% fundos UE). O Museu de Setúbal reabriu a 30 de novembro de 2024 após mais de uma década de encerramento. Entre mais de 500 peças expostas estão painéis de azulejos restaurados.
Projeto SOS Azulejo
Programa nacional em funcionamento desde 2007, destinado a combater o roubo de azulejos históricos. Reduziu os roubos em mais de 80%. Em 2017 foi aprovada uma lei dedicada à proteção do azulejo. O projeto recebeu o Prémio Europa Nostra (2013).
Oficinas de Azeitão
Em Azeitão (distrito de Setúbal), as oficinas Azulejos de Azeitão e S. Simão Arte reproduzem desenhos antigos usando técnicas tradicionais e oferecem aulas para visitantes.

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