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Azulejos de Setúbal — O Património Azulejar da Cidade

Azulejos de Setúbal — O Património Azulejar da Cidade

Verificado

Azulejos do Mercado do Livramento representando pescadores e motivos marítimos

📷 Crédito da imagem

Foto: GualdimG / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0

Azulejos — azulejos cerâmicos vidrados — são um dos símbolos mais reconhecíveis da cultura portuguesa. Em Setúbal, o património azulejar abrange cinco séculos: desde a cerâmica sevilhana do século XV no Convento de Jesus aos painéis Arte Nova de 1929 no Mercado do Livramento.

Períodos

Período Inicial (séculos XV–XVI)

Os azulejos mais antigos de Setúbal sobrevivem na capela-mor da Igreja do Convento de Jesus — azulejos verdes e brancos, presumivelmente de fabrico sevilhano (técnica cuerda seca). A (Igreja de Santa Maria da Graça) contém maiólica de produção nacional do final do século XVI.

Período Barroco (séculos XVII–XVIII)

A idade de ouro dos azulejos em Setúbal:

Ano Local Mestre Tema
1714 Casa do Corpo Santo P.M.P. (Padre Manuel Pereira) Caça, vida quotidiana, “figuras de convite”
1736 Capela do Forte de São Filipe Policarpo de Oliveira Bernardes Vida de São Filipe, temas marianos
1766 Sebastião de Almeida (atrib.) 14 painéis da vida da Virgem
1781 Igreja do Convento de Jesus Desconhecido Ladainha da Virgem (19 painéis)
c. 1790 Igreja de São Julião Desconhecido Vida de São Julião e Santa Basilissa

Período Arte Nova (1929–1944)

O Mercado do Livramento está revestido com 5.700 azulejos de José António Jorge Pinto e Pedro Pinto (1929), representando pesca, apanha da azeitona e produção de sal. Em 1944, Rosa Rodrigues acrescentou painéis com paisagens urbanas à entrada norte.

Locais Principais

Igreja do Convento de Jesus

Um património azulejar em camadas: desde azulejos verdes e brancos dos séculos XV–XVI a um programa de 19 painéis (1781) baseado em gravuras de Elogia Mariana de A.C. Redelius (Augsburgo, 1732). Painéis figurativos azuis e brancos com bordas rococó policromadas. Dos 19 originais, sobrevivem 15.

Casa do Corpo Santo

A sede da Irmandade dos Pescadores e Marítimos, fundada no século XIV. As paredes do pátio e da escadaria estão revestidas com azulejos azul-cobalto (1714). É aqui que aparecem pela primeira vez as “figuras de convite” (figuras de convite) — painéis recortados representando um porteiro em tamanho natural com libré. O dispositivo, inventado pelo mestre P.M.P., tornou-se mais tarde uma tradição nacional nos séculos XVIII–XIX.

Capela do Forte de São Filipe

A capela barroca dentro do Forte de São Filipe está inteiramente revestida com painéis azuis e brancos de Policarpo de Oliveira Bernardes (1695–1778), assinados e datados de 1736. Policarpo era filho do famoso António de Oliveira Bernardes e um dos principais mestres do “Ciclo dos Mestres” — a idade de ouro do azulejo português.

Sé (Catedral)

14 painéis de 1766 representando episódios da vida da Virgem, atribuídos a Sebastião Inácio de Almeida (1727–1779), segundo diretor artístico da Real Fábrica de Louça (Real Fábrica de Louça do Rato).

Igreja de São Julião

Reconstruída após o terramoto de 1755. As paredes da nave e da capela estão revestidas com painéis (c. 1790) com bordas rococó policromadas, representando as vidas dos mártires cristãos primitivos São Julião e Santa Basilissa. O artista é desconhecido.

Mestres

Mestre Datas Obra em Setúbal Significado
P.M.P. (Padre Manuel Pereira) início séc. XVIII Casa do Corpo Santo, 1714 Inventor das “figuras de convite”
Policarpo de Oliveira Bernardes 1695–1778 Forte de São Filipe, 1736 “Ciclo dos Mestres”
Sebastião de Almeida 1727–1779 Sé, 1766 Diretor da Fábrica Real
José A. Jorge Pinto início séc. XX Mercado do Livramento, 1929 Arte Nova
Pedro Pinto início séc. XX Mercado do Livramento, 1929 Arte Nova

Temas

  • Cenas religiosas — vida da Virgem, santos, ladainhas
  • Temas marítimos — pesca, cenas portuárias (Mercado do Livramento)
  • Atividades económicas — produção de sal, apanha da azeitona
  • Vida quotidiana — caça, passatempos aristocráticos (Casa do Corpo Santo)
  • Padrões geométricos — obras iniciais, séculos XV–XVII

Conservação

Convento de Jesus

Um restauro abrangente com um custo de aproximadamente 9 milhões de euros (50% município + 50% fundos UE). O Museu de Setúbal reabriu a 30 de novembro de 2024 após mais de uma década de encerramento. Entre mais de 500 peças expostas estão painéis de azulejos restaurados.

Projeto SOS Azulejo

Programa nacional em funcionamento desde 2007, destinado a combater o roubo de azulejos históricos. Reduziu os roubos em mais de 80%. Em 2017 foi aprovada uma lei dedicada à proteção do azulejo. O projeto recebeu o Prémio Europa Nostra (2013).

Oficinas de Azeitão

Em Azeitão (distrito de Setúbal), as oficinas Azulejos de Azeitão e S. Simão Arte reproduzem desenhos antigos usando técnicas tradicionais e oferecem aulas para visitantes.

Interior do Convento de Jesus com painéis de azulejos do século XVIII

📷 Crédito da imagem

Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0

Painéis de azulejos na capela do Forte de São Filipe

📷 Crédito da imagem

Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0

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