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Transporte Fluvial no Sado

Transporte Fluvial no Sado

Verificado

Ferry Setúbal — Tróia no rio Sado

📷 Crédito da imagem

Foto: Jules Verne Times Two / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0

O Sado é o único grande rio em Portugal que corre de leste para oeste. O seu estuário, entre Setúbal e a Península de Tróia, tem servido como artéria de transporte há milénios: desde os navios romanos carregados de garum até à moderna frota da Atlantic Ferries, que realiza 16 000 travessias por ano.

O ferry Setúbal–Tróia

A travessia histórica

Uma travessia por ferry do estuário do Sado existia muito antes do serviço atual. A empresa Transado operou a rota durante mais de 30 anos, tendo cessado a atividade a 7 de outubro de 2007. A concessão foi atribuída pela Administração do Porto de Setúbal e Sesimbra (APSS) em 2005, por um período de 15 anos.

Atlantic Ferries

A Atlantic Ferries (integrada no grupo Sonae) iniciou operações em outubro de 2007. Todos os antigos funcionários da Transado foram transferidos para a nova empresa.

Parâmetro Valor
Frota 2 ferries + 2 catamarãs
Capacidade do ferry até 500 passageiros + 60 veículos
Capacidade do catamarã até 350 passageiros
Travessias por ano ~16 000
Duração da travessia ~15 minutos
Horário de funcionamento 24 horas
Pontualidade superior a 99%

Tarifas (janeiro de 2025):

  • Catamarã: 4,90 € (ida), 9,30 € (ida e volta)
  • Ferry com automóvel (incluindo condutor): 21 € (ida)
  • Passe mensal: 99,30 €

A travessia proporciona o acesso principal às praias de Tróia e constitui uma alternativa ao desvio rodoviário de ~130 km via Alcácer do Sal.

Navegação histórica

A época romana

O estuário do Sado foi um importante centro de navegação com dois portos principais: Salacia (Alcácer do Sal) — porto fluvial interior, e Caetobriga (Setúbal/Tróia) — porto costeiro. A Península de Tróia albergou um dos maiores centros de salga de peixe e produção de garum do Império Romano: foram descobertas 25 oficinas (séculos I–VI d.C.). Ânforas com marcas de oleiro de Tróia foram encontradas na Muralha de Adriano (Britânia), na fronteira danubiana (Áustria) e em Volubilis (Marrocos).

A Idade Média e a Era dos Descobrimentos

O Sado era utilizado para transportar trigo, azeite e vinho do interior alentejano. No século XIV, Setúbal era um dos principais portos de Portugal. O rei D. Afonso V partiu do porto de Setúbal em 1458 para conquistar Alcácer-Ceguer (Marrocos).

Alcácer do Sal significa literalmente “Fortaleza do Sal” (do árabe al-Qasr). O sal é extraído das salinas do Sado há mais de 2 000 anos e exportado para o Norte da Europa.

O Porto de Setúbal

Operações modernas

Administração: APSS (Administração do Porto de Setúbal e Sesimbra, S.A.).

Indicador Valor
Volume de carga em 2024 6,5 milhões de toneladas (+3,7% face a 2023)
Quota de exportação ~60%
Contentores ~130 000–140 000 TEU/ano
Terminal ro-ro 155 000 m², ~300 000 veículos/ano

Setúbal é o principal porto português em movimentação de carga ro-ro, estreitamente ligado à fábrica Volkswagen AutoEuropa em Palmela.

Terminais

  • Sadoport (YILPORT, 100%) — contentores e carga geral; cais de 725 m, profundidade até 15 m
  • Tersado (YILPORT, 25%) — terminal multiuso
  • TGL (SAPEC) — granéis líquidos

Ferries do Tejo (Transtejo / Soflusa)

História

Em 1860, Frederico Burnay fundou a Vapores Lisbonenses — uma frota que servia Cacilhas, Seixal e Montijo. A 17 de dezembro de 1975, cinco empresas privadas de transporte fluvial foram nacionalizadas para formar a Transtejo. Em 1993, a Soflusa foi separada das operações fluviais da CP — Comboios de Portugal (rota Barreiro–Lisboa).

Rotas

Rota Duração da travessia
Cacilhas – Cais do Sodré ~10 min
Seixal – Cais do Sodré ~20 min
Barreiro – Terreiro do Paço ~30 min
Montijo – Cais do Sodré >30 min
Trafaria / Porto Brandão – Belém ~20 min

Volume anual de passageiros: aproximadamente 19 milhões.

Frota e eletrificação

Frota atual: 35 embarcações (20 catamarãs, 2 ferries para veículos, 13 ferries convencionais). No âmbito do programa de eletrificação, foram encomendados 10 ferries-catamarãs elétricos (544 passageiros, carregamento em 5–10 minutos, autonomia de 70 minutos). Investimento total: mais de 96,6 milhões de euros. A primeira embarcação, Cegonha Branca, entrou ao serviço em novembro de 2023, mas o programa tem enfrentado dificuldades técnicas: em junho de 2025, apenas uma das seis embarcações entregues se encontrava plenamente operacional.

Embarcações tradicionais do Sado

Galeão do Sado

Embarcação de carga com cerca de 20 metros utilizada para transportar sal e mercadorias. O Pinto Luísa (1925, mestre carpinteiro Artur Santos) — 18,84 m de comprimento, capacidade para 50 pessoas — era originalmente um barco salineiro e foi convertido em embarcação de recreio em 1985. Atualmente é utilizado em cruzeiros turísticos no Sado, com partida de Alcácer do Sal.

Aiola

Embarcação tradicional de Sesimbra, desenhada pela primeira vez em 1928 por Francisco Dias. Comprimento de 3,5–4,5 m, leve, compacta e estável mesmo em mar agitado. Utilizada na pesca artesanal e como embarcação de apoio à arte xávega.

Outros tipos

  • Canoa do Sado — embarcação à vela para transporte de pessoas e mercadorias
  • Bateira — embarcação de fundo chato com duas proas características
  • Caíque — embarcação para pesca de anzol em alto mar

A Casa da Baía (Setúbal) alberga uma exposição de Júlio Figueiras, carpinteiro e pescador que construiu modelos fiéis de embarcações tradicionais do Sado.

Embarcações de recreio e turismo

Observação de golfinhos

O estuário do Sado é o habitat de uma população residente de roazes-corvineiros (Tursiops truncatus) — uma de apenas três populações residentes de golfinhos em estuários europeus. Números atuais: aproximadamente 25–27 indivíduos. Em 2023 nasceram 6 crias — um recorde em 40 anos de monitorização. A população é considerada vulnerável.

Mais de 11 operadores oferecem passeios com duração de 2–3 horas. Probabilidade de avistar golfinhos: ~95%. Preços (2025): 35–40 € (adultos).

Passeios costeiros ao longo da Arrábida

As rotas ao longo da costa do Parque Natural da Arrábida incluem grutas, praias (Praia de Galapinhos, Praia dos Coelhos), mergulho com tubo e caiaque. O maior operador é a Arrábida Sea Ventures (ASV): mais de 40 embarcações, 50 skipers.

Terminal de ferry de Setúbal

📷 Crédito da imagem

Foto: Filipe Rocha (Sacavem1) / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0

Porto de pesca de Setúbal — embarcações tradicionais

📷 Crédito da imagem

Foto: OsvaldoGago / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0

Ver também

Este artigo faz parte de uma enciclopédia comunitária. Procuramos uma cobertura neutra e baseada em factos. As afirmações disputadas são assinaladas de forma adequada. Política Editorial

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