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Estuário do Sado

Estuário do Sado

Verificado

O Estuário do Sado (Estuário do Sado) é o segundo maior estuário de Portugal, situado perto da cidade de Setúbal. A Reserva Natural do Estuário do Sado (Reserva Natural do Estuário do Sado), estabelecida em 1980, protege um extenso sistema de zonas húmidas que proporciona habitat para mais de 200 espécies de aves e para a única população residente de golfinhos-roazes de Portugal.

Estuário do Sado

Geografia

O rio Sado

O rio Sado (Rio Sado) nasce na Serra da Vigia (230 m) perto da localidade de Ourique na região do Alentejo e corre para norte por aproximadamente 175-180 km antes de desaguar no Oceano Atlântico perto de Setúbal. É o único grande rio em Portugal que corre de sul para norte. O rio situa-se inteiramente em território português.

O estuário

O estuário forma-se onde o Sado encontra o oceano e encontra-se separado deste pela restinga de areia da Península de Troia. É um amplo sistema lagunar de areias e lamas expostas na maré baixa, extensos sapais e caniçais.

Coordenadas do centro: aproximadamente 38,47° N, 8,82° O.

A reserva natural

A Reserva Natural do Estuário do Sado foi estabelecida em 1 de outubro de 1980. A reserva abrange aproximadamente 23.160 hectares (239,71 km²). O seu território inclui águas estuarinas, terrenos de planície aluvial, dunas, e praias marinhas e fluviais dentro dos municípios de Alcácer do Sal, Grândola, Palmela e Setúbal.

Ecossistema

Habitats

O Estuário do Sado compreende um mosaico de ecossistemas interligados:

  • Sapais — áreas extensas de vegetação halófita, inundadas pelas marés
  • Zonas lamacentas — as principais áreas de alimentação de limícolas e outras aves aquáticas
  • Salinas (salinas) — salinas tradicionais que criam habitats adicionais para aves
  • Arrozais — campos de arroz inundados que ampliam a gama de biótopos disponíveis para aves
  • Dunas e praias arenosas — ao longo da costa e na Península de Troia
  • Caniçais — áreas de vegetação de água doce

Avifauna

O Estuário do Sado é um dos sítios ornitológicos mais importantes de Portugal. Mais de 200 espécies de aves foram registadas aqui. No inverno, o estuário acolhe regularmente 20.000 ou mais aves aquáticas.

Espécies mais notáveis:

  • Flamingo-comum (Phoenicopterus roseus) — grandes bandos alimentam-se nas zonas rasas
  • Cegonha-branca (Ciconia ciconia) — ninhos abundantes em campanários de igrejas e pilões de linhas elétricas, particularmente em torno de Alcácer do Sal
  • Colhereiro (Platalea leucorodia)
  • Garça-branca-grande (Ardea alba)
  • Garça-cinzenta (Ardea cinerea)
  • Íbis-preta (Plegadis falcinellus)

Limícolas:

  • Pernilongo (Himantopus himantopus)
  • Alfaiate (Recurvirostra avosetta)
  • Perna-verde (Tringa nebularia)
  • Perna-vermelha (Tringa totanus)
  • Borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula)
  • Ostraceiro (Haematopus ostralegus)
  • Tarambola-dourada (Pluvialis apricaria)
  • Abibe (Vanellus vanellus)
  • Maçarico-real (Numenius arquata)
  • Maçarico-galego (Numenius phaeopus)
  • Pilrito-comum (Calidris alpina)
  • Narceja-comum (Gallinago gallinago)

O período de inverno (novembro-fevereiro) é a melhor época para observar aves aquáticas.

Mamíferos marinhos

O estuário acolhe uma população residente de golfinhos-roazes (Tursiops truncatus) — veja o artigo dedicado Golfinhos do Sado. Esta é a única população deste tipo em Portugal e uma das poucas populações residentes de golfinhos estuarinos na Europa.

Répteis e anfíbios

Várias espécies de répteis habitam o estuário e os seus arredores, incluindo diversas espécies de lagartos e cobras. Algumas fontes mencionam a presença do camaleão-comum (Chamaeleo chamaeleon) nas proximidades; no entanto, as principais populações desta espécie em Portugal concentram-se no Algarve (Parque Natural da Ria Formosa).

Peixes

O estuário serve como importante área de desova e alimentação para muitas espécies de peixes. A pesca comercial e a aquicultura têm lugar aqui, incluindo ostricultura. As águas salobras do estuário proporcionam condições favoráveis para robalo, linguados e outras espécies comercialmente importantes.

Estatuto de conservação

O Estuário do Sado goza de múltiplas camadas de proteção internacional e nacional:

  • Reserva Natural Portuguesa (Reserva Natural) — desde 1980
  • Zona Húmida Ramsar — designada em 8 de maio de 1996, área 25.588 hectares (sítio n.º 826)
  • Área Importante para Aves (IBA) — sob critérios da BirdLife International, devido à presença regular de invernada de mais de 20.000 aves aquáticas
  • Zona de Proteção Especial (ZPE) — dentro da rede Natura 2000
  • Área Importante para Mamíferos Marinhos (IMMA) — devido à população residente de golfinhos-roazes

Mais de 80% da reserva encontra-se dentro da rede Natura 2000.

Ameaças

Poluição industrial: A margem norte do estuário encontra-se ladeada pela cintura industrial de Setúbal, incluindo fábricas de pasta e papel, fábricas de pesticidas e fertilizantes, estaleiros navais e uma central termoelétrica. Estas instalações descarregam poluentes, incluindo metais pesados. A exploração histórica de depósitos de pirite na bacia do Sado (até aos anos 1960) levou à acumulação de metais nos sedimentos.

Operações portuárias: O porto de Setúbal e atividades associadas requerem dragagem regular, que perturba habitats bentónicos, aumenta a turbidez e danifica pradarias de ervas marinhas — a fundação da cadeia alimentar estuarina.

Escorrências urbanas: Descarga de águas residuais municipais da cidade de Setúbal.

Pressão agrícola: O cultivo de arroz e a agricultura no vale do Sado envolvem o uso de pesticidas e fertilizantes.

Turismo crescente: Pressão recreativa crescente, incluindo atividades de observação de golfinhos.

Pessoas e natureza

Produção de sal

Flamingos no Estuário do Sado

A colheita de sal no Estuário do Sado tem uma história secular. As salinas (salinas) foram um pilar da economia regional durante centenas de anos. Em meados do século XX, uma grande proporção das salinas tinha sido abandonada ou desmantelada — das que operavam nos anos 1950, menos de uma dúzia permanecem ativas atualmente. Não obstante, as salinas sobreviventes detêm considerável valor cultural e simbólico e desempenham uma função ecológica ao proporcionar habitat para aves.

Cultivo de arroz

O cultivo de arroz na área de Comporta nas margens do Sado começou por volta de 1760. Uma grande expansão teve lugar por volta de 1950, após a construção das barragens do Pego do Altar e Vale de Gaio, que forneceram canais de irrigação a ambas as margens do rio. Atualmente, Comporta e o vale do Sado como um todo formam o maior e mais produtivo distrito de cultivo de arroz em Portugal. O cultivo de arroz é uma das mais importantes atividades económicas em todo o estuário.

Pesca e aquicultura

A pesca tradicional no estuário é complementada pela aquicultura moderna, incluindo ostricultura e viveiros de peixes.

O que ver

Observação de aves

O estuário é um dos melhores destinos de observação de aves no centro de Portugal. Principais pontos de observação:

  • Pontal de Musgos — um panorama soberbo de zonas lamacentas e sapais
  • Área da Mourta e as salinas próximas
  • Arrozais perto de Alcácer do Sal — colónias de cegonha-branca em pilões de linhas elétricas

Observação de golfinhos

Embarcações de excursão partem de Setúbal para observar os Golfinhos do Sado (sujeito a restrições — veja o artigo relevante).

Rotas aquáticas

Percursos de caiaque pelos canais do estuário oferecem vistas de sapais, salinas e colónias de aves a partir da água.

Informação prática

  • Como chegar: De Setúbal, seguir pela N253 e EN10 ao longo da margem norte do estuário; de Alcácer do Sal, pela margem sul. Um ferry funciona para a Península de Troia a partir de Setúbal.
  • Melhor época para visitar: Inverno (novembro-fevereiro) para observar aves aquáticas e flamingos; primavera para flores silvestres e cegonhas; verão para praias e golfinhos.
  • Restrições: A reserva tem regulamentos de visitantes estabelecidos. A observação de golfinhos é regulamentada pelo ICNF. A pesca e navegação encontram-se restritas em certas zonas.
  • Centro de visitantes: O centro de interpretação da natureza da reserva situa-se na área da Mourta.

Flamingos a voar sobre o Estuário do Sado

Fontes das imagens
  • estuario-do-sado.webp — Estuário do Sado. Autor: Epinheiro. Licença: CC BY 3.0. Fonte
  • flamingos-estuario-sado.webp — Flamingos no Estuário do Sado. Autor: CristianaBPGomes. Licença: CC BY-SA 4.0. Fonte
  • flamingos-voar-sado.webp — Flamingos a voar sobre o Estuário do Sado. Autor: TiagooDiass. Licença: CC BY-SA 4.0. Fonte

Ver também

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