Bairros Multiculturais de Setúbal
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Foto: Gazilion / Wikimedia Commons / CC0
Os bairros multiculturais do Distrito de Setúbal são um mapa vivo das ondas migratórias das últimas décadas. Da Bela Vista com as suas comunidades cabo-verdiana e cigana ao Vale da Amoreira, onde 45% dos residentes provêm de países PALOP, estes bairros tornaram-se laboratórios de integração onde programas sociais transformam desafios em conquistas.
Bela Vista (Setúbal)
História
O bairro da Bela Vista foi construído ao abrigo do Plano Integrado de Setúbal, um programa de habitação social estatal iniciado pelo Fundo de Fomento da Habitação (FFH) no início dos anos 70. O arquiteto do projeto foi José Charters Monteiro.
O bairro é constituído por três zonas:
| Zona | Período | Edifícios | Fogos |
|---|---|---|---|
| Bairro Amarelo | 1976-1989 | 45 | 840 |
| Bairro Azul | 1984-1989 | 22 | 167 |
| Alameda das Palmeiras | 1992-1993 | — | 252 |
Escala total: 155 edifícios, 1655 fogos, mais de 36% de propriedade privada.
Comunidade e diversidade
A Bela Vista acolhe uma significativa comunidade cabo-verdiana, bem como uma comunidade cigana. Em abril de 2025, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa visitou a comunidade cigana na Bela Vista no Dia Internacional dos Ciganos, sublinhando a necessidade de “combater a desigualdade”.
Do medo à transformação
Há cerca de 15 anos, a Bela Vista estava associada a medo, conflitos e criminalidade. Faltava iluminação pública, espaços verdes e infraestrutura comunitária. A transformação começou com o programa “Nosso Bairro, Nossa Cidade”.
O programa “Nosso Bairro, Nossa Cidade”
Conceito
Um programa municipal lançado em fevereiro de 2012, abrangendo os bairros da Bela Vista, Alameda das Palmeiras, Forte da Bela Vista, Manteigadas e Quinta de Santo António. Mais de 60 organizações parceiras participam no programa, que se baseia no princípio da tomada de decisões liderada pelos residentes.
Cinco áreas prioritárias:
- Trabalho com jovens
- Educação, formação e emprego
- Imagem e visibilidade do bairro
- Vida comunitária
- Promoção da participação dos residentes
Projetos
- Comissão de Acompanhamento de residentes eleitos
- Caminhada — caminhadas semanais para fortalecer a organização coletiva
- Estúdio de Som e Imagem NBNC (desde 2021)
- Espaço Monstro — um centro de artes performativas
- Programas de alfabetização, competências informáticas e oficina de costura
Reconhecimento internacional
Em 24 de julho de 2018, o programa recebeu o Prémio AICE de Melhores Práticas (Associação Internacional de Cidades Educadoras) — uma de 3 ideias vencedoras de 62 candidaturas, 49 cidades e 12 países.
Reabilitação PRR
Em 2023, o município anunciou uma grande reabilitação física: 445 fogos — um orçamento superior a 40 milhões de euros. O investimento total em reabilitação é de aproximadamente 60 milhões de euros de fundos da UE (PRR).
Vale da Amoreira (Moita)
Demografia
Uma área residencial no concelho da Moita com uma população de cerca de 10 000 habitantes e uma composição étnica única:
- Portugueses — 55%
- Cabo-verdianos — 15%
- Angolanos — 10,3%
- Guineenses — 10%
- São-tomenses — 3,4%
- Moçambicanos — 2,9%
A população cresceu explosivamente após a Revolução dos Cravos de 1974, com o afluxo de migrantes das antigas colónias.
O programa “Bairros Críticos”
O Vale da Amoreira tornou-se uma das três áreas-piloto do programa nacional “Bairros Críticos” (juntamente com a Cova da Moura na Amadora e o Lagarteiro no Porto). O programa decorreu de 2007 a 2012 e foi encerrado por falta de financiamento.
Vida cultural
- Associação Caboverdiana do Vale da Amoreira — associação cabo-verdiana
- CEA — Centro de Experimentação Artística sob o município
- Projeto “Sons, Ritmos e Cores” — oficinas de música, dança e produção de vídeo para jovens
População estrangeira por município
| Município | % estrangeiros (2022) |
|---|---|
| Montijo | 11,6% |
| Almada | 10,8% |
| Seixal | 8,9% |
| Setúbal | 8,9% |
| Barreiro | 8,7% |
| Moita | 8,1% |
| Alcochete | 7,4% |
| Sesimbra | 6,7% |
| Palmela | 5,3% |
Almada acolhe 123 nacionalidades. Maiores comunidades: brasileiros (6506), cabo-verdianos (1502), angolanos (1203).
Programas de integração
SEI — Setúbal, Etnias e Imigração
O serviço municipal de integração de migrantes. Fornece serviços gratuitos e confidenciais: aconselhamento jurídico, ajuda na regularização, informação sobre saúde, educação e habitação. Os serviços estão disponíveis em português, russo e crioulo cabo-verdiano.
CLAIM
O Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes, operado em Setúbal pela Cruz Vermelha Portuguesa. Parte de uma rede nacional coordenada pela AIMA.
Setúbal — uma Cidade Intercultural
Setúbal é membro da Rede de Cidades Interculturais do Conselho da Europa, confirmando o seu estatuto como cidade que trabalha sistematicamente com a diversidade cultural.
Ver também
- Habitação Social e o Programa SAAL
- A Diáspora Africana de Setúbal
- A Comunidade Brasileira de Setúbal
- O Mosaico Migratório de Setúbal
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