Monumentos e Estátuas de Setúbal

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Foto: Georges Jansoone / Wikimedia Commons / CC BY 2.5
Os monumentos de Setúbal formam uma crónica em pedra e aço: de um pelourinho medieval na praça central a lâminas vermelhas que se erguem para o céu sobre uma rotunda. Cada monumento preserva a história das pessoas, ideias e lutas que moldaram a identidade desta cidade.
Património Medieval: O Pelourinho
O Pelourinho de Setúbal — uma coluna de pelourinho que se ergue na Praça Marquês de Pombal — é o marco monumental mais antigo da cidade. Em 1774, durante a extensa reconstrução pós-terramoto após o grande terramoto de 1755, o pelourinho foi transferido para a sua localização atual por ordem do marquês de Pombal.
O pelourinho é uma coluna coríntia neoclássica esculpida em mármore branco com veios escuros. Ergue-se sobre um pedestal quadrado com três degraus octogonais e é coroado por uma pirâmide de quatro lados com uma espiga de ferro. A composição geral reflete a estética das reformas pombalinas — severidade, simetria e racionalidade.
No Portugal medieval, um pelourinho servia uma dupla função: como símbolo da autonomia municipal (o direito de administrar justiça, concedido por carta régia — o foral) e como local de castigo público. Desde 1910, o pelourinho de Setúbal encontra-se classificado como monumento nacional (Monumento Nacional).
Estátua de Bocage (1871)
No próprio coração de Setúbal, na Praça do Bocage, ergue-se o monumento que se tornou o emblema da cidade — a Estátua de Bocage, homenageando o poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage. A estátua foi cerimonialmente inaugurada a 21 de dezembro de 1871, no 66.º aniversário da morte do poeta.
O escultor Pedro Carlos dos Reis projetou o monumento, enquanto o canteiro Germano José de Sales executou o trabalho em pedra. A estrutura tem aproximadamente 12 metros de altura: a figura do poeta, com cerca de 2 metros de altura, encontra-se montada sobre uma maciça coluna coríntia de mármore branco com base octogonal de quatro degraus. Bocage encontra-se representado no traje da sua época — segurando uma pena na mão direita e folhas de manuscrito na esquerda.
Os fundos para o monumento foram angariados por subscrição pública entre admiradores do poeta em Portugal e no Brasil — testemunho da fama internacional de Bocage no mundo lusófono. O jovem Eça de Queirós, então escritor aspirante que se tornaria num dos maiores romancistas de Portugal, assistiu à cerimónia de inauguração.
Um detalhe curioso: nove dias antes da inauguração, a pena na mão direita da estátua partiu-se. O dano teve de ser reparado às pressas com cimento — uma solução temporária que se tornou permanente.
Monumento a Luísa Todi (1933)
Na Avenida Luísa Todi — a principal artéria do centro histórico da cidade — ergue-se o Monumento a Luísa Todi, homenageando a grande cantora de ópera. O monumento foi inaugurado a 1 de outubro de 1933, assinalando o centenário da morte de Luísa Todi (1753–1833).
O monumento assume a forma de uma glorieta — uma rotunda ou dossel decorativo — projetado pelo arquiteto Abel Pascoal. O busto da cantora foi esculpido por Leopoldo de Almeida, um dos mais importantes escultores portugueses do século XX e autor de numerosas obras monumentais por todo o país. A construção foi realizada pelo construtor Abílio Salreu.
O monumento foi originalmente erguido num local diferente; em 1938 foi transferido para a sua localização atual na Avenida Luísa Todi, onde se integra organicamente na paisagem do boulevard.
Monumento ao 25 de Abril e às Nacionalizações (1985)
Na rotunda da Praça de Portugal na freguesia de São Sebastião ergue-se um dos monumentos mais marcantes da cidade — o Monumento ao 25 de Abril e às Nacionalizações. Inaugurado a 1 de outubro de 1985, é dedicado à Revolução dos Cravos de 1974 e à onda de nacionalizações que se seguiu.
O monumento foi projetado pelo arquiteto Rodrigues Ollero, com o trabalho escultórico executado por Virgílio Domingos e António Trindade. A composição apresenta “lâminas” de aço vermelhas que se erguem 13 metros de altura, simbolizando o impulso revolucionário, juntamente com um cubo azul de 6 metros de largura. Toda a estrutura pesa aproximadamente 30 toneladas.
A história da sua criação é notável: o monumento foi construído por trabalhadores do estaleiro Setenave — a maior empresa de construção naval de Setúbal. A construção exigiu aproximadamente 3.000 horas de trabalho voluntário. O monumento foi uma prenda dos trabalhadores à cidade — uma expressão material de solidariedade e dos ideais revolucionários que eram especialmente fortes em Setúbal, historicamente um bastião da esquerda portuguesa.
Monumento à Resistência Antifascista (2005)
Na Avenida Luísa Todi ergue-se o Monumento à Resistência Antifascista, inaugurado a 25 de abril de 2005 — no 31.º aniversário da Revolução dos Cravos. O escultor é José Aurélio, um dos mais proeminentes artistas contemporâneos de Portugal.
O monumento é imponente na escala: 10 metros de altura, com um diâmetro de base de 10 metros e um peso total de 12 toneladas. A estrutura é feita de aço sobre uma base de betão. A sua forma abstrata provocou reações mistas entre os residentes da cidade: alguns viram nela um símbolo do espírito humano indomável, enquanto outros a criticaram pelo modernismo excessivo e por destoar da arquitetura circundante da avenida.
Não obstante, o monumento tornou-se um elemento importante da paisagem memorial da cidade, servindo como recordação das décadas da ditadura do Estado Novo (1933–1974) e daqueles que lutaram pela liberdade.
Mariana Torres — Recordando a Luta dos Trabalhadores (2016)
No Largo da Fonte Nova ergue-se a Estátua de Mariana Torres, esculpida em mármore branco pelo escultor Jorge Pé-Curto. A estátua foi cerimonialmente inaugurada em março de 2016, no âmbito do programa “Março Mulher”, coincidindo com o Dia Internacional da Mulher.
Mariana Torres foi uma trabalhadora morta a 13 de março de 1911 durante uma manifestação de trabalhadores em Setúbal. A sua morte tornou-se um símbolo da luta pelos direitos laborais durante os primeiros anos da Primeira República Portuguesa (proclamada a 5 de outubro de 1910). A ereção de um monumento mais de um século após a tragédia atesta que a memória do movimento operário permanece uma parte vital da identidade da cidade.
Pasmadinhos do Bonfim — Personagens Populares
No Jardim do Bonfim — o jardim público de Setúbal — ergue-se uma série de esculturas vibrantes e distintivas conhecidas como Pasmadinhos de Setúbal. São figuras cerâmicas de grande formato (aproximadamente 3 metros cada) representando personagens característicos da história e cultura da cidade.
O projeto baseia-se na coleção de miniaturas cerâmicas da Coleção Maria Pó, criada pela ceramista Elsa Rodrigues. As esculturas ampliadas foram produzidas por Hélder Silva. Entre as personagens representadas encontram-se Bocage, Luísa Todi, Frei Martinho (fundador do Mosteiro de Jesus), Maria Baía e outras figuras significativas da cultura local.
As três primeiras esculturas foram instaladas em 2016; em 2022 a coleção tinha crescido para dez figuras. Os coloridos “pasmadinhos” tornaram-se numa das atrações mais reconhecíveis e fotografadas de Setúbal — uma espécie de panteão popular em forma de arte naïf.
Padrão de Santo Agostinho
Na frente ribeirinha de Setúbal ergue-se o Padrão de Santo Agostinho — uma coluna de granito que é uma réplica de um dos padrões (pilares-marco de pedra) que os navegadores portugueses ergueram nas terras que descobriram durante a Era dos Descobrimentos.
O padrão original foi erguido pelo navegador Diogo Cão na costa da África Ocidental no final do século XV. A réplica na frente ribeirinha de Setúbal serve como recordação do papel da cidade na Era dos Descobrimentos: foi da foz do rio Sado que partiram muitas expedições, e Setúbal serviu como porto vital para equipar e despachar navios.

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Ver Também
- Praça do Bocage
- Bocage — Poeta de Setúbal
- Luísa Todi — Prima Donna dos Palcos Europeus
- Avenida Luísa Todi
- Revolução dos Cravos em Setúbal
- Mosteiro de Jesus
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