Ruínas Romanas de Tróia
As Ruínas Romanas de Tróia constituem o maior centro de salga de peixe e produção de garum conhecido no mundo antigo, ativo do século I ao século VI d.C. O complexo arqueológico na península de Tróia encontra-se classificado como Monumento Nacional de Portugal e é candidato à inscrição na Lista do Património Mundial da UNESCO.

Ligação com Cetobriga
O complexo encontra-se tradicionalmente associado a Cetobriga — um povoado romano que existiu nesta região. De acordo com fontes históricas, Cetobriga foi destruída por um poderoso terramoto e subsequente tsunami em 412 d.C. No entanto, evidências arqueológicas indicam que a produção na península de Tróia continuou após esta catástrofe, persistindo até ao século VI.
[DISPUTADO] A localização precisa de Cetobriga permanece uma questão de debate académico. Alguns investigadores colocam-na na margem oposta (direita) do rio Sado, no local da moderna Setúbal, considerando as ruínas de Tróia como o seu subúrbio industrial.
Produção de Garum e Salga de Peixe
Escala de Produção
De acordo com a avaliação da UNESCO, Cetobriga representa um conjunto arquitetónico excecional de instalações de produção que ilustram a indústria de salga de peixe e molho de peixe do século I ao século VI d.C. numa escala sem paralelo em qualquer outro lugar do mundo romano.
Os arqueólogos identificaram entre 20 e 25 oficinas contendo um total de 182 tanques quadrados (latim: cetariae) usados para salgar e fermentar peixe. As oficinas encontravam-se organizadas em torno de pátios centrais — uma disposição típica das operações romanas de processamento de peixe.
Garum
Garum era um molho de peixe fermentado altamente apreciado em todo o Império Romano. Era produzido pela fermentação de peixe e entranhas de peixe com sal em tanques de pedra sob o sol aberto, um processo que durava várias semanas ou meses.
O garum de Tróia era exportado por todo o Império Romano e representava uma das principais fontes de riqueza do povoado. Além do garum, o complexo também produzia outros produtos de peixe: peixe inteiro salgado e pasta de peixe.
Características Arqueológicas
Termas

O complexo inclui termas romanas com uma área de piso de aproximadamente 450 metros quadrados:
- Apodyterium — vestiário
- Frigidarium — sala de água fria
- Tepidarium — sala de água tépida
- Caldarium — piscina quente aquecida por um hipocausto (sistema de aquecimento sob o pavimento)
Necrópole
A zona funerária é composta por quatro áreas de enterramento separadas, incluindo:
- Um mausoléu com um columbário — nichos nas paredes para guardar as urnas dos cremados
- Enterramentos de diferentes períodos, refletindo a evolução das práticas funerárias do paganismo ao cristianismo primitivo
Basílica Paleocristã
No final do século IV a início do século V, foi construída uma basílica paleocristã no local de uma oficina de processamento de peixe abandonada. Isto testemunha a transformação gradual do povoado de um centro puramente industrial numa comunidade urbana mais diversa.
Mosaicos e Elementos Decorativos
Durante escavações em 1850, foram descobertas paredes com decoração pintada e pavimentos de mosaico na área conhecida como “Casas da Princesa” (Casas da Princesa). Até aos dias de hoje, porém, a maior parte destes elementos decorativos, incluindo os mosaicos e frescos, perderam-se devido a meteorização e deterioração.
Estatuto Patrimonial
As ruínas encontram-se classificadas como Monumento Nacional (Monumento Nacional) desde 1910. O complexo encontra-se incluído na Lista Indicativa da UNESCO como candidato à inscrição como Património Mundial.
Informação Prática
- Morada: Estrada Nacional 253, Tróia
- Coordenadas: 38.4914° N, 8.9003° W
- Entrada:
- Preço completo: 7,50 euros

- Preço reduzido (hóspedes do Troia Resort, estudantes, maiores de 65 anos, grupos): 5,00 euros
- Crianças menores de 14 anos: gratuito
- Bilhetes são adquiridos na entrada 15 minutos antes do início da sessão
- Visitas guiadas com arqueólogo: percursos a pé cobrindo o porto romano e oficinas de salga; percursos alargados para além da área padrão (2 horas, 10 euros por pessoa, mínimo 10 participantes)
- Contactos: tel. +351 265 499 400; email: arqueologia@troiaresort.pt
- Duração da visita: aproximadamente 1 hora
- Como chegar: ferry de Setúbal para a península de Tróia (aproximadamente 20 minutos), depois pela estrada N253
O horário de abertura do sítio arqueológico varia conforme a estação e está sujeito a alterações. O terreno encontra-se aberto e maioritariamente desabrigado — no verão, aconselha-se aos visitantes trazer chapéu e protetor solar.
Fontes das imagens
- ruins-general-view.webp — Vista geral das ruínas romanas em Tróia. Autor: Sanjorgepinho. Licença: CC BY-SA 4.0. Fonte
- ruins-fish-tanks.webp — Tanques de processamento de peixe nas Ruínas Romanas. Autor: Roundtheworld. Licença: CC BY-SA 4.0. Fonte
- ruins-cetarias.webp — Cetariae (tanques de salga) nas ruínas. Autor: CorreiaPM. Licença: Domínio público. Fonte
Ver também
- Cetobriga — Uma Cidade Romana — a história do povoado romano
- Península de Tróia — a geografia e ambiente natural da península
- Forte de São Filipe — a fortaleza na margem oposta do Sado com vistas para Tróia
- Parque Natural da Arrábida — a área protegida nas proximidades
- Estuário do Sado — a via aquática que fornecia peixe ao complexo romano
- Cultura Piscatória — a continuação da antiga tradição piscatória
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